Pecuária leiteira e ESG: a aposta da ESGpec para modernizar a cadeia leiteira brasileira
- Equipe ESGpec

- 20 de mai.
- 6 min de leitura
Nota da ESGpec
A ESGpec agradece com muito carinho à Isabela Simões, à Júlia Custódio e à I AM pela publicação desta matéria na série Editais com Café, originalmente compartilhada no LinkedIn.
Nossa conexão com a I AM nasceu durante o processo de aceleração da ESGpec na Startup Casale Accelerator, um programa que marcou uma etapa importante da nossa jornada de amadurecimento, posicionamento e fortalecimento estratégico.
Desde então, temos acompanhado com admiração o trabalho da I AM na valorização de startups, empreendedores e iniciativas que encontram nos editais, programas de fomento e ambientes de inovação caminhos concretos para transformar boas ideias em impacto real.
A matéria a seguir foi publicada originalmente no LinkedIn da Isabela Simões e é republicada aqui no blog da ESGpec como forma de registrar esse reconhecimento, compartilhar nossa trajetória e agradecer pelo cuidado com que essa história foi contada.
Aqui, o café acompanha trajetórias de quem transformou conhecimento em impacto real e encontrou nos editais um caminho para viabilizar essa construção.
🥛 O café hoje vem junto com leite, mas especificamente leite e ESG. Vamos conhecer a trajetória de Heloise Duarte com a ESGpec, iniciativa que conecta ciência, tecnologia e sustentabilidade na indústria leiteira. Matéria escrita por Júlia Custódio.
A pecuária leiteira ocupa um papel central no agronegócio brasileiro e passa por um momento de transformação. O Brasil está entre os maiores produtores de leite do mundo, com mais de 34 bilhões de litros produzidos por ano e uma cadeia presente em praticamente todo o território nacional, envolvendo mais de 1 milhão de propriedades rurais.
Nos últimos anos, o setor tem avançado em produtividade, mesmo com a redução no número de vacas ordenhadas, refletindo ganhos em tecnologia, genética e gestão. Ao mesmo tempo, enfrenta pressão sobre preços e margens, o que exige maior eficiência e decisões cada vez mais orientadas por dados.
Nesse contexto, a sustentabilidade deixa de ser apenas uma agenda reputacional e passa a atuar como uma camada estratégica, conectando eficiência produtiva, acesso a mercado e gestão de risco em uma cadeia cada vez mais pressionada por transparência e responsabilidade ambiental.
"Medir, conhecer e entender o que pode melhorar faz toda a diferença."
É a partir dessa transformação do setor que a trajetória de Heloise Duarte começa a se desenhar. Veterinária formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com mais de três décadas de atuação no agro, sua história não começa apenas no mercado, mas também na convivência próxima com o campo. A produção leiteira sempre esteve presente em sua família, especialmente por meio de seus queridos tios Claret e Peta, referências afetivas e profissionais que ajudaram a formar seu olhar para a realidade do produtor rural. Desde cedo, essa proximidade permitiu acompanhar a dinâmica da produção e desenvolver familiaridade com os desafios, as decisões e a complexidade da atividade.
Essa vivência não apenas orientou sua escolha profissional, como também moldou a forma como enxerga o setor ao longo da carreira: sempre a partir da prática, da realidade de quem está na ponta e da necessidade de transformar conhecimento em algo aplicável.
Após a pós-graduação, Heloise ingressou no mercado, iniciando sua trajetória em uma empresa de tecnologia voltada à gestão no agro. Ali, passou a atuar com softwares de gestão e atendimento a produtores, aprofundando sua compreensão sobre o papel dos dados na tomada de decisão no campo.

Ao longo dos anos, sua atuação evoluiu para posições de liderança e, posteriormente, para o empreendedorismo. Tornou-se sócia de uma empresa voltada à capacitação e assistência técnica, o que ampliou ainda mais sua proximidade com produtores, técnicos e a realidade da aplicação do conhecimento no dia a dia das fazendas.
Foi nesse contexto que emergiu uma lacuna recorrente: a dificuldade de transformar conhecimento técnico em gestão estruturada. A ausência de dados organizados e de ferramentas adequadas limitava a capacidade de tomada de decisão, mesmo em ambientes com alto nível de conhecimento.
A partir dessa necessidade, Heloise fundou a Ideagri, software de gestão que se consolidou como uma das principais soluções do país, chegando a atender milhares de fazendas e grande parte dos maiores produtores de leite do Brasil. À frente da empresa como CEO, liderou um ciclo de crescimento que culminou na venda do negócio para um fundo de investimento.
Após essa trajetória, já com uma visão consolidada sobre tecnologia, dados e gestão no agro, um novo movimento começou a ganhar forma.
A partir da experiência acumulada, Heloise identificou uma nova fronteira de transformação no setor: a agenda ESG. Assim como, anos antes, o campo havia passado por um processo de digitalização, a sustentabilidade começava a se apresentar como o próximo grande desafio, ainda pouco estruturado, difícil de mensurar e distante da tomada de decisão prática.
Foi dessa leitura que nasceu a ESGpec. Fundada em 2022, a ESGpec surgiu com a proposta de traduzir a agenda ESG para a realidade do produtor rural, transformando um conceito muitas vezes abstrato em ferramentas aplicáveis, mensuráveis e conectadas à rotina do campo.

A construção da startup não aconteceu de forma isolada. Heloise reuniu um time complementar, conectando diferentes competências: pesquisa científica, conhecimento técnico da produção, tecnologia e gestão. Entre essas conexões, destaca-se a presença de Bruna Figueiredo Silper, produtora rural e pesquisadora com forte atuação na implementação de tecnologia e bem-estar animal, que assumiu a liderança executiva da empresa.
"Minha relação com a Bruna é um grande encontro. Ela é PhD em ciência animal, com profunda experiência em implementação de tecnologia e bem-estar animal."
Também foi fundamental nessa construção a presença de Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, pesquisador e professor com ampla trajetória em sustentabilidade, emissões e sistemas de produção leiteira. Sua contribuição ajudou a fortalecer a base científica da ESGpec e a conectar a solução às discussões globais sobre mensuração, mitigação e futuro da pecuária.
"Com o Luiz, a ESGpec ganha uma ponte muito importante entre ciência aplicada, sustentabilidade e realidade produtiva. Ele traz uma visão profunda sobre emissões, sistemas leiteiros e caminhos possíveis para que a pecuária avance com mais dados, eficiência e responsabilidade."
Juntos, construíram uma solução que conecta fazendas, indústrias e mercado por meio de dados. As ferramentas desenvolvidas pela ESGpec permitem medir indicadores como emissões de gases de efeito estufa, bem-estar animal e práticas de gestão, criando uma base concreta para tomada de decisão e reporte.
Mais do que medir, a proposta sempre esteve em gerar transformação. Ao traduzir dados em direcionamento prático, a ESGpec passou a apoiar tanto produtores quanto indústrias a evoluírem em eficiência, sustentabilidade e posicionamento de mercado.
"O que a gente faz é transformar o que acontece dentro das fazendas em dados estruturados que podem ser utilizados no reporte da indústria."
Um dos desdobramentos dessa atuação foi o projeto "Despertar Regenerativo", que ampliou o acesso a ferramentas de diagnóstico e cálculo de emissões, fortalecendo a conexão entre diferentes atores da cadeia e promovendo uma abordagem mais integrada da sustentabilidade no campo.
A evolução da ESGpec, no entanto, não se deu apenas pela construção técnica da solução. Assim como em outras trajetórias de inovação, os editais e programas de fomento tiveram um papel estruturante no desenvolvimento do negócio.
Ao longo da sua jornada, a startup acessou diferentes iniciativas, como o Compete Minas (FAPEMIG - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) o Inova Cerrado (SEBRAE)e programas voltados ao empreendedorismo e à inovação. Esses apoios contribuíram tanto para o desenvolvimento tecnológico quanto para o amadurecimento do modelo de negócio e da estratégia da empresa.
"Cada programa tinha um motivo. Alguns eram para tecnologia, outros para mercado, outros para internacionalização. A gente foi escolhendo de forma estratégica."
Mais do que o recurso financeiro, os editais atuaram como um ambiente de estruturação. Permitiram testar propostas de valor, refinar a comunicação, revisar o modelo de mercado e preparar a empresa para interações mais complexas com clientes, parceiros e investidores.
Esse processo também foi determinante para o fortalecimento da liderança interna. A participação em programas de aceleração e capacitação contribuiu diretamente para o desenvolvimento da equipe, ampliando a maturidade do negócio e a clareza estratégica da atuação da ESGpec.
Hoje, a empresa segue em expansão, conectando tecnologia, dados e sustentabilidade em uma cadeia produtiva que se torna cada vez mais orientada por informação.
A trajetória de Heloise Duarte evidencia um movimento mais amplo: a transição de um agro baseado apenas na produção para um agro orientado por dados, eficiência e responsabilidade. E mostra, na prática, como os editais podem atuar como instrumentos estratégicos para viabilizar essa transformação.

Texto originalmente publicado por Isabela Simões, na série Editais com Café, com matéria escrita por Júlia Custódio.




