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Capital Social do leite

Nos EUA o leite tem uma história confiável para contar



O que significa manter uma licença social? Quer a frase seja explicitamente descrita ou implícita, este é um conceito que cada vez mais os consumidores estão exigindo de seus fornecedores de alimentos. Se o leite quiser reter seus atuais clientes e conquistar novos, será preciso continuar tendo a licença social que temos há séculos.


De acordo com Chris Wolf, economista da Universidade de Cornell, de forma simplificada, uma licença social é “a aceitação das práticas de uma empresa ou indústria pelo público e partes interessadas relevantes”.


A licença social é importante por vários motivos, mas Wolf escolheu um como o mais fundamental para aqueles que operam uma fazenda leiteira e todos os negócios que apoiam laticínios: “Sem licença social, as indústrias acabam regulamentadas e monitoradas”, disse o “Eles acabam com leis e regulamentos extras com os quais precisam lidar, o que aumenta os custos e torna as coisas menos eficientes.” Embora certamente já existam muitos padrões que as empresas da indústria de laticínios devem cumprir para garantir a segurança animal e alimentar, não há duas fazendas que operem exatamente da mesma forma, pois cada uma escolhe as estratégias que funcionam melhor para elas.


Nos EUA a notícia reconfortante é que essa abordagem está mantendo a confiança na agropecuária. Lá, o consumo per capita de lácteos atingiu seu nível mais alto desde 1959 em 2021, quando cada americano comeu e bebeu, em média, 667 libras (cerca de 302 kg) de laticínios, conforme relatado do USDA.


Em uma escala mais ampla, Wolf destacou uma pesquisa realizada pela Gallup em 2020, nos EUA, na qual mais de 1.000 pessoas foram questionados se tinham uma imagem positiva, negativa ou neutra de várias indústrias de consumo. A agricultura e a pecuária obtiveram a recepção mais positiva, com 69 % de respondentes favoráveis. O setor já estava entre os mais bem avaliados nos anos anteriores, e a pandemia deu um impulso ao primeiro lugar.


Adicionalmente animadores são os fatos que constam dessa mesma lista, a indústria de alimentos e bebidas (que teve a segunda resposta mais positiva) e os restaurantes (que ficaram em terceiro lugar). Todos os três alcançaram uma percepção positiva de mais de 60%. “Portanto, toda a indústria de alimentos dos EUA é muito confiável e admirada por consumidores e cidadãos”, disse Wolf.


Mas, mesmo nos EUA, ainda há trabalho a fazer. Nessa pesquisa, 11% dos entrevistados tinham uma visão negativa da agropecuária e, embora nem todas essas pessoas fossem receptivas a uma mudança de opinião, a pesquisa também relatou que 19% das pessoas eram neutras sobre o setor. Mais de 98% dos americanos não produzem, e um número crescente deles nem conhece alguém produtor ou já esteve em uma fazenda, então eles não têm nenhum contexto sobre a produção agropecuária. Permanecer proativo ao explicar a história dos lácteos e tomar boas decisões será fundamental para liderar a discussão sobre o que a cadeia de produção de leite fornece para suas comunidades e para o mundo.


Felizmente, temos uma base sólida para nos sustentar, construída a partir de décadas de bom trabalho. “A confiança acumulada já sugere que há muito capital social acumulado para a indústria de lácteos americana, que pode ser aproveitado”, disse Wolf.


Cenário nacional


O consumo per capita de produtos lácteos no Brasil cresceu somente 3% entre 2011 e 2020 (saindo de 168 litros por habitante/ano para 172 litros por habitante/ano), ficando abaixo da taxa de crescimento da população brasileira, que foi de 8% no período.

O consumo per capita de lácteos no Brasil também está abaixo do volume absorvido por Estados Unidos (mais de 300 litros/ano), Europa (233 litros/ano) e Argentina (265 litros/ano), com destaque especial para o nosso vizinho sul-americano.


Texto adaptado


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