top of page

Eficiência e sustentabilidade caminham juntas: estudo científico com PEC Calc mostra que fazendas mais eficientes emitem menos gases de efeito estufa por litro de leite

Atualizado: 16 de jul.

Durante muito tempo, produtividade, eficiência econômica e sustentabilidade foram tratadas como objetivos separados dentro da produção agropecuária. A redução de emissões de gases de efeito estufa era frequentemente associada a custos adicionais ou à necessidade de mudanças complexas nos sistemas produtivos.


Mas a evolução da ciência, dos dados e das tecnologias aplicadas ao campo tem mostrado uma nova perspectiva: a sustentabilidade ambiental pode ser uma consequência direta da eficiência.


Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras (UFLA), utilizando a tecnologia PEC Calc da ESGpec, reforça essa conexão ao demonstrar que fazendas leiteiras com maior eficiência zootécnica e econômica tendem a apresentar menor intensidade de emissões de gases de efeito estufa por unidade de leite produzida.


A dissertação de mestrado desenvolvida por Thaynan Ferreira de Araújo, sob orientação do professor Daniel Rume Casagrande, avaliou a relação entre pegada de carbono, desempenho produtivo e indicadores econômicos em propriedades leiteiras localizadas no Centro-Oeste de Minas Gerais.


Mais do que calcular emissões, o estudo buscou responder uma pergunta essencial para o futuro da produção de alimentos:


É possível produzir leite de forma mais sustentável e, ao mesmo tempo, fortalecer os resultados econômicos das fazendas? Os dados indicam que sim.


Dados reais do campo transformados em evidências científicas


A pesquisa foi conduzida em 26 propriedades leiteiras com acompanhamento técnico e gerencial, utilizando informações reais dos sistemas produtivos. Foram avaliados indicadores relacionados ao rebanho, produção de leite, manejo alimentar, uso de recursos, emissões de gases de efeito estufa e desempenho econômico.


A quantificação da pegada de carbono foi realizada por meio do PEC Calc, solução desenvolvida pela ESGpec baseada nos princípios da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), considerando as emissões da produção dos insumos até a porteira da fazenda (cradle-to-farm gate) e seguindo referências internacionais como IPCC e IDF.


Esse processo evidencia um dos grandes desafios da agenda climática no setor agropecuário: transformar informações geradas diariamente nas propriedades em indicadores confiáveis para orientar decisões.


Mais eficiência, menor pegada de carbono


Os resultados demonstraram uma intensidade média de emissão de 1,52 kg CO₂e/kg de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM) nas propriedades avaliadas.


O principal resultado, no entanto, vai além do valor médio encontrado. A compreensão dos fatores que explicam as diferenças entre fazendas é chave para buscar melhorias. Mesmo dentro de um grupo de propriedades tecnificadas, houve uma variação significativa, com pegadas entre 1,00 e 2,42 kg CO₂e/kg FPCM. Estes números demonstram que existem oportunidades relevantes para aumentar a eficiência e reduzir a intensidade de emissões a partir de estratégias específicas de manejo e gestão.


A pesquisa identificou uma forte relação entre produtividade animal e intensidade de emissões. Fazendas com maior produção por vaca apresentaram menores emissões por unidade de produto, resultado associado ao melhor aproveitamento dos recursos e à diluição das emissões necessárias para manutenção dos animais. (figura 1)


Figura 1 - Regressão linear da intensidade de emissão (kg de CO₂ equivalente por quilo de leite) em função da produtividade animal (litros/vaca/dia) (Fonte: Dados da pesquisa 2026).

figura 1

Além da produtividade individual, a estrutura do rebanho também foi determinante. Fazendas com maior proporção de vacas em produção apresentaram menor pegada de carbono, demonstrando que reduzir períodos improdutivos é uma estratégia ambiental e econômica. Na prática, isso reforça um conceito fundamental: a busca pela redução de emissões passa pela redução de ineficiências.


Animais mais produtivos, melhor gestão do rebanho, maior eficiência alimentar e melhores indicadores técnicos são estratégias que contribuem simultaneamente para a sustentabilidade ambiental e econômica da atividade.


Sustentabilidade e eficiência econômica não são caminhos opostos


A análise estatística demonstrou uma forte correlação negativa entre intensidade de emissão e lucratividade, indicando que as fazendas economicamente mais eficientes também apresentaram menor pegada por unidade de leite produzido.


Esse resultado desafia a percepção de que sustentabilidade representa apenas aumento de custos para o produtor. Na pecuária leiteira, muitos dos caminhos para reduzir emissões passam justamente pelos mesmos pontos que melhoram o resultado da fazenda: produtividade, eficiência no uso dos recursos, planejamento e gestão.


Produzir mais com melhor uso dos recursos é uma das estratégias mais consistentes para construir uma pecuária de baixo carbono.


A pegada de carbono vai além do metano


Embora o metano entérico seja frequentemente o principal foco das discussões climáticas envolvendo ruminantes, o estudo mostrou que, em sistemas leiteiros mais intensificados, outros componentes passam a ganhar relevância. Nas fazendas avaliadas, alimentação e manejo de pastagens representaram 48,2% das emissões, enquanto o metano entérico respondeu por 43,4%. Isso reforça a importância de avaliar o sistema como um todo, considerando eficiência alimentar, produção de alimentos, fertilizantes, energia e manejo.


figura 2

O futuro da pecuária sustentável será baseado em dados


A transição para sistemas de produção mais sustentáveis não acontecerá apenas pela adoção de tecnologias isoladas. Ela dependerá da capacidade de medir, interpretar e transformar informações em decisões.


A pesquisa desenvolvida em parceria com a UFLA reforça uma mensagem essencial: a pecuária de baixo carbono começa com mais eficiência, melhor gestão e conhecimento, que levam também à redução das emissões.


É justamente nessa integração entre campo, ciência e tecnologia que a ESGpec acredita.

Porque os dados produzidos hoje nas fazendas brasileiras podem ser a base para construir o futuro da pecuária sustentável.


ESGpec Synergy: ciência aplicada para transformar a pecuária


A dissertação desenvolvida em parceria com a UFLA é um exemplo de como a integração entre dados do campo, tecnologia e pesquisa pode gerar novos conhecimentos para apoiar a evolução da pecuária sustentável.


É com esse propósito que nasceu o ESGpec Synergy, um programa criado para fortalecer a colaboração com universidades, pesquisadores e instituições interessadas em desenvolver estudos aplicados à sustentabilidade agropecuária.


Por meio do programa, pesquisadores têm acesso às tecnologias da ESGpec para explorar novas perguntas científicas, validar metodologias, gerar indicadores e ampliar o impacto das pesquisas desenvolvidas a partir dos sistemas produtivos reais.


Se você desenvolve estudos relacionados à sustentabilidade, eficiência produtiva, emissões de gases de efeito estufa ou bem-estar animal na pecuária, venha fazer parte dessa rede.

Conheça o ESGpec Synergy e conecte sua pesquisa ao futuro da pecuária sustentável.


Destaque

bottom of page