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ESG NO LEITE

Atualizado: 29 de nov. de 2022

Em sua XII edição, o Simpósio Internacional Leite Integral consolidou a incorporação da Agenda ESG na cadeia nacional de produção de leite, com palestras e discussões disruptivas coroadas com o lançamento de serviços e ferramentas inovadoras como: o curso de 'Formação de Técnicos em ESG na pecuária leiteira', o App 'ESGScores', a certificação 'Redutor da pegada de carbono' e muito mais.


Bem-vindos


A capital Curitiba, vizinha da bacia leiteira paranaense que concentra grande parte da produção nacional, recebeu o XII Simpósio Internacional Leite Integral. Em mais uma edição de absoluto sucesso, a Agenda ESG foi apresentada, debatida e compartilhada por especialistas e produtores de leite que enxergam o conceito como grande oportunidade para o setor.

Para a programação de dois dias de palestras ministradas por especialistas nacionais e internacionais, o Grupo Integral reuniu 1087 presentes, entre produtores, técnicos da iniciativa privada, acadêmicos de universidades públicas e privadas, representantes de associações, pesquisadores e autoridades de entidades governamentais. Elizabeth Nogueira Fernandes, Chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, deu as boas-vindas ao grande público e destacou que o avanço do setor depende de todos os elos estarem interessados em fazer um mundo melhor.

O Presidente da Abraleite, Geraldo Borges, também convidado a compor o comitê de abertura do evento, valorizou o tema escolhido e a comunicação positiva do setor com o consumidor. “A produção sustentável e as práticas do ESG já fazem parte da nossa agenda, mas temos que aprender mais e expandir o tema por todo o Brasil, que tem dimensão continental, sistemas diversos e produtores de todos os portes”. Ronei Volpi (Presidente da Câmara Setorial de Leite e derivados do MAPA), Hans Groenwold (Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa) e João Guilherme Brenner (Presidente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa) endossaram o discurso que enalteceu e encorajou os envolvidos na cadeia de produção de leite.


O destaque aos estudantes que se interessaram, compareceram e contribuíram com a organização do evento foi pronunciado pelo Professor Rodrigo Almeida (UFPR), especialista em Nutrição de Bovinos Leiteiros e também convidado de honra na solenidade. Com mensagem inspiradora, Flávia Fontes, CEO do Grupo Integral, oficializou a abertura do simpósio e passou a palavra para a sócia e Diretora Comercial do Grupo, Ana Paula Menegatti, quem fez o grande anúncio sobre o novo formato da Revista Leite Integral: 100% gratuito e 100% digital, em conformidade com as premissas da sustentabilidade.


Afinal, o que é ESG?


“Nessa década da mudança, parabenizo a decisão das gestoras da Revista Leite Integral de interromper as edições impressas e caminhar rumo ao compromisso com os princípios ambientais, sociais e de governança”, elogiou o Presidente da Rede Brasil do Pacto Global e Diretor de Sustentabilidade e Meio Ambiente da CPFL, Rodolfo Sirol, ao contextualizar as iniciativas de sustentabilidade nos movimentos da sociedade e confirmar que a Agenda .ESG veio para ficar nas estratégias das organizações do agronegócio


Na sequência, as frentes de trabalho do GTPS, entidade que articula e promove diálogo entre os atores da cadeia produtiva, foram apresentadas pelo líder Sérgio Schuler, que também atua como Vice-Presidente de Ruminantes da DSM no Brasil. “Os temas dos nossos Grupos de Trabalho são complexos e emergentes, mas debatidos com profundidade e entre diferentes elos da cadeia de produção, porque assumimos o compromisso de contar ao mundo que é possível desenvolver a pecuária e manter a biodiversidade no Brasil”. Sérgio concluiu a apresentação incentivando a captação e o envio de dados para a construção de uma agenda positiva na pecuária de leite, segmento no qual seu grupo multistakeholder ainda atua de forma discreta.


Na sua vez de palestrar e, mais uma vez, suscitando a reflexão, Flávia Fontes perguntou ao público: “Quem tem medo do futuro?”. Ao ilustrar como os concorrentes entendem das ferramentas de comunicação e exploram as fragilidades da indústria leiteira, a Médica Veterinária e estudiosa do comportamento do consumidor reiterou a necessidade da cadeia de produção leiteira comunicar que existe ética, bem-estar animal e sustentabilidade ambiental atribuídos aos seus produtos. “Estamos vivendo transformações culturais que estão influenciando o comportamento do consumidor, aquele que está no centro de todos os objetivos. Vamos ficar parados ou vamos agir?”, provocou Flávia.


O “E” da questão


O Painel 2 do evento foi iniciado com a novidade transmitida por Heloise Duarte, Gestora de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Integral: o curso para formação de técnicos em ESG na pecuária de leite, disponível no portal ESGpec, que contempla iniciativas e informações elaboradas para os envolvidos na cadeia de produção de leite que buscam aprimorar os serviços que oferecem ao setor. Como bem citou Eduardo Valias, Médico Veterinário e consultor que, apesar dos 25 anos de atuações prestigiadas no agronegócio, compareceu ao simpósio para atualizar-se sobre o tema do momento: “Conhecimento não ocupa espaço nas pessoas que buscam os melhores espaços do mercado”.


Quando o profundo domínio técnico se misturou aos relatos das pitorescas experiências do Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, a plateia se entusiasmou e percebeu que o setor leiteiro “tem a faca e o queijo na mão para desenvolver modelos produtivos não só sustentáveis, mas também regenerativos”. O Pesquisador da Embrapa Gado de Leite reverenciou os ruminantes como espécies estratégicas para reverterem a má nutrição que assola populações em todo o mundo, mas, em paralelo, taxou que o produtor de proteína de origem animal só irá evoluir se passar a considerar e mensurar as variáveis associadas à sustentabilidade do sistema. “Temos o desafio de direcionar a pecuária de leite e corte para os caminhos da regeneração e quebra de paradigmas, para mostrarmos ao mundo que a agenda vegana de ultraprocessados não precisa ser vista pelos jovens como solução para salvar o planeta”, refletiu o Pesquisador, em paráfrase à colega Fernanda Samarini, também especialista em bioenergética de ruminantes e sistemas de produção sustentáveis. Embora tenha alertado repetidamente que devemos parar de lutar contra os sinais da natureza, Luiz Gustavo mostrou visão otimista ao reportar que “os programas de redução de carbono já são realidade na iniciativa privada”.


O preceito da sustentabilidade no centro da produção pecuária balizou a apresentação de Jonathan Statham, Diretor Executivo da Raft Solutions, corporação britânica direcionada a apoiar os produtores na administração dos recursos finitos da natureza e no fornecimento de conforto aos animais de produção. “O gerenciamento avançado da saúde do rebanho, além de premissa do bem-estar animal, contribui com a redução dos gases associados ao efeito estufa”, comentou o Médico Veterinário especialista em sustentabilidade dos sistemas de criação.


O primeiro representante dos produtores brasileiros subiu ao palco e se mostrou entusiasmado com o público jovem presente – o mesmo que irá conduzir as mudanças que virão por aí. Maurício Coelho, Gestor da Fazenda Santa Luzia, desvelou as numerosas ações alinhadas com os critérios ESG praticadas na propriedade do Grupo Cabo Verde. Entre elas, estações de tratamento e outras medidas para garantir o suprimento de água; unidades de tratamento de dejetos, que são convertidos em energia elétrica e insumos para a agricultura regenerativa; adoção das premissas do bem-estar animal, incluindo o monitoramento atento da saúde do rebanho e a redução do uso de antibióticos; medidas de biosseguridade e, fora do sistema produtivo, projetos sociais de grande visibilidade e importância. “A busca por incremento de produtividade sempre será positiva para o meio ambiente. A revolução tecnológica dos últimos anos marcou um salto em produtividade e competitividade ao agricultor brasileiro, e a pecuária segue o mesmo caminho. Novas tecnologias estão chegando e serão mais impactantes do que tudo que vimos até aqui. Temos que estar preparados!”, assinala, categoricamente, Maurício.


Chegada a sua vez, Maria Antonieta Guazzelli, Presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio e Diretora da Agropecuária Rex, logo reforçou a importância da formação em ESG dos jovens que darão sequência ou contribuirão de alguma forma com os empreendimentos rurais. Herdeira de um legado de conscientização coletiva deixado pelo pai, que era um defensor da natureza e ativista social, Maria Antonieta mostrou porque a governança íntegra é parte fundamental do sucesso na Agropecuária Rex: não só sistemas que preservam os recursos naturais – como a captação da água das chuvas e o tratamento de dejetos em dutos subterrâneos – foram adotados, mas também ações inovadoras que integram processos e pessoas. A gestora deixou a plateia admirada ao apresentar como reduz o desperdício ao usar a sobra de um processo como input de outro, conforme ocorre com o manejo cuidadoso do lixo, que é separado, vendido e convertido em benefícios aos colaboradores. “Nesse momento de transformação, a conscientização de todos os envolvidos faz toda a diferença. Em conjunto, devemos ser menos reativos e mais proativos, ou seja, devemos atuar mais na antecipação do que na resolução dos problemas. E isso vale desde o monitoramento da saúde dos animais até o cuidado com o meio ambiente”, concluiu a produtora.


Em palestra abarrotada de dados revisados e resultados de pesquisas científicas, Glen Broderick, autoridade mundial em Nutrição de Ruminantes, abordou as estratégias nutricionais e de manejo que têm potencial para reduzir a emissão de gases do efeito estufa (GEE) nos sistemas produtivos de leite. Dos aditivos dietéticos, ele destacou o 3-NOP, composto sintetizado quimicamente que demonstrou inibir a emissão de metano sem prejudicar o consumo de matéria seca ou a produção de leite. “A contínua evolução genética do gado leiteiro aumentou a necessidade de adotarmos modelos nutricionais que atendam, com muita precisão, os requerimentos por energia e proteína metabolizável das vacas em lactação, de forma a reduzir a intensidade do metano e aumentar a produtividade”. Por fim, Glen destacou o potencial da pecuária leiteira brasileira e alertou que a hora da virada é agora.


Mais uma novidade tomou conta do palco do XII Simpósio Internacional Leite Integral, anunciado por Verônica Schvartzaid, Gerente de Sustentabilidade LATAM da DSM: a parceria entre a Integral Certificações e a DSM, firmada para certificar propriedades que incluem Bovaer® – aditivo estudado há mais de 20 anos e que proporciona a redução das emissões de metano em 30% – nas dietas de seus animais. “Desenvolvemos um produto que representa grande oportunidade para reduzir a pegada de carbono, então queremos mostrar ao consumidor o nosso comprometimento com modelos produtivos que consideram as demandas das gerações atuais e futuras. E a melhor forma de comunicar as práticas sustentáveis ao público é por meio de um programa de certificação robusto”, garantiu Verônica. Bruna Silper, Gestora de Sustentabilidade da Integral Certificações, corroborou: “As pesquisas apontam 71% de crescimento das buscas por produtos sustentáveis. Como garantimos às pessoas a rastreabilidade dos produtos que representam escolhas mais conscientes? A certificação, sem dúvida, é a forma mais efetiva”.


O “S” da questão


Na pauta do segundo dia do evento estava o componente Social, o “S” do ESG, do qual o conceito de Bem-Estar Único (que descreve as relações de bem-estar entre humano, animal e ambiente físico e social) faz parte. Ao introduzir o tema, Flávia Fontes reportou que a educação direcionada aos cuidados com os animais favorece o desenvolvimento de competências sociais (empatia, responsabilidade e respeito com o outro) e previne as formas diversas de violência. Para aproximar a produção animal ao tema e qualificar o tópico que evidencia a necessidade de abordar humanos e animais de forma integrada, Mariana Magalhães, Pesquisadora da Embrapa Gado do Leite, foi ao palco e exibiu estudo no qual foi demonstrado que vacas mais calmas destinaram 57% mais energia líquida para a produção de leite. “Uma vez que o comportamento das vacas leiteiras está associado à emissão de metano, a observação da reatividade e ruminação durante a ordenha, bem como os testes realizados no curral de manejo podem ser úteis para prever os animais mais propensos à alta produção de metano entérico e à baixa produtividade”, completou a especialista em Nutrição de Ruminantes.


Se o componente humano esteve presente nas diretrizes do ESG abordadas em todas as palestras do evento, Marcelo Cabral, especialista em gestão de pessoas no agronegócio, não poderia deixar de compartilhar sua experiência com um público tão inspirado por conceitos positivos. “A grande diferença está no olhar, na maturidade para perceber as coisas”, expressou Cabral ao defender a identificação e o desenvolvimento de lideranças nas organizações. O viés social foi retomado quando o consultor citou aspectos práticos que contribuem com o bem-estar dos colaboradores, como as condições de transporte, a alimentação de qualidade, o acesso à conectividade, a remuneração justa e as regularizações de direito do trabalhador.


As palavras emocionantes de Marcelo deram lugar ao lançamento de mais um projeto pioneiro desenvolvido pela Integral Certificações e acreditado pela Agener Saúde Animal. Heloise Duarte, a voz da inovação no setor leiteiro, foi fortemente aplaudida ao anunciar que Lactotropin® e Posilac® são os primeiros produtos certificados como Redutores da Pegada de Carbono.


Na sequência, a mentora do ESGPec também apresentou o BEAEscore (aplicativo que atribui nota ao bem-estar do rebanho) e o ESGPlace, ponto de conexão virtual, de adesão voluntária, entre produtores e indústria. Aos laticínios, a plataforma oferecerá uma visão do potencial de produção do leite certificado em Bem-Estar Animal, Baixo Carbono ou Vacas A2A2; aos produtores, a possibilidade de agregar valor aos seus produtos diferenciados.


Do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Trouw Nutrition da Holanda para o palco do simpósio, Leonel Leal mostrou que fornecer dieta líquida em qualidade e quantidade adequadas, além de premissa para o bem-estar das bezerras, impacta positivamente o consumo e a produção de leite na fase adulta. Por se consolidar como estratégia nutricional que contribui com a saúde e o futuro produtivo dos animais, os sucedâneos Sprayfo Excellent e Sprayfo Azul conferiram à Trouw Nutrition o selo de Amiga do Bem-Estar Animal. “Essa é uma conquista de importância global, que a equipe do Brasil celebra com muita alegria e orgulho junto aos colegas da Holanda”, comemorou Marília Ribeiro, a Dra. Sprayfo da Trouw Nutrition.


Anfitriã do evento e Diretora da Integral Certificações, Helena Karsburg reiterou que os selos conquistados pelos mais de 80 produtos certificados são a melhor forma de comunicar ao mercado a promoção do bem-estar animal nos sistemas produtivos. Em participação remota, Roberto Jank, Gestor da Fazenda Agrindus, reforçou a importância da certificação por terceira parte para a transparência e confiabilidade que os lácteos Letti A2 conquistaram no mercado.


O “G” da questão


A Governança, o “G” do ESG, o diferencial para perpetuar o negócio, foi introduzido por Heloise Duarte e explorado por Ben Warner, Professor da Universidade de Maryland Global Campus. O especialista em comunicação estratégica esclareceu termos corporativos, destrinchou conceitos pouco familiares e sinalizou os elementos fundamentais à boa governança: responsabilidade, transparência e participação. “A governança íntegra é mais do que apenas a coisa certa a fazer, é o caminho para atingir as metas ambientais e sociais nas estruturas que incorporam a Agenda ESG. E, consequentemente, melhorar a eficácia organizacional e elevar os resultados financeiros”, compartilhou Ben.

Para validar os tópicos que cercam a produção de leite Baixo Carbono ou Carbono Neutro, Luiz Gustavo Pereira, especialista em mitigação de GEE de origem entérica, explicou as rotas de descarbonização possíveis de serem manipuladas em diferentes componentes do sistema de produção: alimentos e nutrição (nutrição de precisão, suplementação alimentar, substitutos dietéticos e qualidade da forragem); genética e cruzamentos (seleção baixo metano); interferência no rúmen (algas vermelhas, Bovaer®); saúde animal; manejo de dejetos e manejo de pastagens (ILPF, sequestro de carbono). “As tecnologias para descarbonização aumentam a produtividade do rebanho, elevam a lucratividade na atividade, agregam valor aos produtos lácteos e contribuem com o bem-estar dos animais e das pessoas, além de atingirem outros ganhos quantificáveis, por meio da redução dos resíduos de nitrogênio e fósforo, redução de odores e aumento da biodiversidade, por exemplo”, resume o pesquisador, antes de sinalizar que novos dispositivos para a mitigação do metano estão em fase de protótipos, mas, em breve, chegarão ao mercado.


O novo capítulo que o Grupo Integral assumiu escrever na história da pecuária leiteira permitiu a apresentação de conceitos, o debate de soluções e o compartilhamento de valiosas experiências com participantes entusiasmados e dispostos a aprender sobre o tema emergente. O XII Simpósio internacional Leite Integral consolidou a incorporação definitiva da Agenda ESG na cadeia de produção de leite. Com muito orgulho em ser propulsor da transformação que urge para acontecer no nosso setor, o Grupo Integral agradece os que compareceram e foram protagonistas desse momento que marca profunda transformação nos sistemas que produzem alimento de origem animal para a população. Citando Flávia Fontes, que citou o poeta, “O futuro não é mais como era antigamente”. E o futuro já começou.


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